quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Poema: Amiga, por Cairo Pereira



Fui jogado à própria sorte...
Sem amiga, sem suporte
ao sentir a dor da morte
que afagou tanto o meu peito.
Desdenhado por amigos...
(Logo eu que fui tão terno)
ao passar por tosco inverno
de ar seco e rarefeito.

Em meu quarto e triste escombro
anelei tanto o teu ombro
quando tinha grande assombro
da maldita solidão;
Quem esteve aqui comigo?
Logo eu que estive ao lado
de ti, ó meu bem amado,
recebi desdém e não.

Esta dor não cicatriza
(quando sinto a leve brisa)
que ela vem mansa e desliza,
escorrendo da minh' alma.
Não custava o riso ledo,
o aconchego do regaço,
teu aperto num abraço...
Na carência e insano trauma.

Doei-me a ti - obra completa,
fui fiel em minha meta,
para ti amiga dileta,
dona do meu coração:
defendi contra os maus homens,
falsas, torpes amizades
e mostrei minhas cidades
com ternura e compaixão;

o incentivo que te dei
para ter da Santa Grei,
um amigo lindo e rei,
nosso bom Consolador;
o incentivo que te dei
para te tornar em culta,
deixar na cova sepulta
a ignorância e toda a dor;

eu também posso dizer
que o teu mórbido viver
abatia-te ao ver
tudo teu indo pra trás:
por vícios que trazem ópio,
dor malévola constante,
traição do insano amante,
o gigante, e vendavais.

Mas, eu estava presente
em teu momento pungente,
fazendo-te ir para a frente,
rumo ao auge da vitória,
suportando a tua dor
pranteei também contigo,
porque sempre fui amigo;
e isso não sai da memória!

Busco atrás em todo o tempo
o cândido sentimento
que caiu no esquecimento
de ti, minha grande amiga.
Que eu não posso suportar
esta dor que alastra o peito,
sendo que plantei perfeito
amor, este que castiga.

Mesmo aos braços do estrangeiro,
do efêmero corriqueiro,
estou sendo verdadeiro
ao mostrar-te a minha dor;
porque é ela que tanto fala,
que te lembra do passado
e que fui teu aliado,
teu amigo e teu amor.

Digo-te com emoção,
como que por comoção
de quem manda o coração:
- Vá pra longe deste abrigo,
deste ombro que te ama tanto,
vá cumprir o teu destino
que o peito deste menino
te será pra sempre amigo.

Cairo Pereira
23/03/2012 

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É paulistano e vive em Poá (SP). Possui 9 livros inéditos de poesia e 2 romances eróticos. Teve poemas publicados em Antologia Poética e no Boletim Salesiano de 2005. Além disso, em 2003, ficou em terceiro lugar em um concurso de poesia de Ferraz de Vasconcelos (SP). Participou da oficina de Fotografia realizada pelo Instituto de Formação Augusto Boal (IFAB), tendo o apoio da Associação Cultural Opereta, sob a orientação de William Ferro Atualmente está cursando Fotografia na Universidade Paulista (UNIP). E desenvolve o blog Com Sabor de Trufas. Facebook: Cairo Pereira.

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