quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Sem título, por Claudio Domingos Fernandes


Os temas se misturam, se imbricam, produzem um caldo temperado às nossas ideologias. Desdenhamos o que deveria ser reconhecido. Valorizamos o que deveria ser combatido. Não quero heróis, não os preciso. Quero o espirito, mesmo que frágil, contraditório, ainda em formação, do que, querendo, colocando vontade e disciplina, somos capazes. Na Copa sofremos um revés e, até antes da partida de ontem, se apostava em outro, como se apostava em desastre (Zika, dengue, terrorismo, violência generalizada...) em vexame internacional, por nossa suposta "desorganização". O revés não veio, até o momento, fora o queixume à forma como "torcemos ruidosamente", não fizemos feio, (o que deixa alguns muito triste). Quem esperava um novo revés do Brasil se ressente, prefere agora desmerecer a seleção alemã. Outros preferem ficar nesse mimi com Neymar (que ele responda na justiça o que tem que responder e não só ele). Ele não jogou só, outros dez jogaram com ele. Ele jogou o que precisava jogar e foi o suficiente. Mas, segundo os entendidos, ele pode mais e minha bronca com ele é só esta: de seu desempenho em campo. Para mim, o que fica destes jogos e seus resultados é que poderíamos ser grandes e estar à altura de qualquer atleta mundial, em qualquer modalidade. Talentos culturais e esportistas doados à sua prática temos de sobra, nos falta estadistas, homens que não façam da política um instrumento de seus ressentimentos e interesses mesquinhos, capazes de oportunizar nossas potencialidades. Aprendo nesses dias que nossos anseios políticos são parcos, mesquinhos e nos deixamos conduzir por homúnculos e queremos impingir a tudo nossa miopia política. Nosso desdem com a vitória, com o sucesso qualquer que seja é fruto de nossa insatisfação com a política. Nascemos para sermos gigantes (não o do "em berço esplêndido"), nos deixamos governar por anões, a tudo reduzimos - infelizmente - ao tamanho de nossos políticos. Nossas ideologias nos turvam a dimensão de nossa grandeza...

Claudio Domingos Fernandes



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Formado em Filosofia (Licenciatura), casado, dois filhos, trabalha na Secretaria de Educação de São Paulo, leciona Filosofia no Ensino Médio. Coordena Oficinas Culturais na Associação Cultural Opereta, onde ensina Italiano. É membro do conselho do Instituto de Formação Augusto Boal. É membro fundador da Associação Cultural Rastilho (A.CURA). Lançou "Vácuos Mundi" e "O Todo em Fragmentos". E-mail: cdomimgosfernandes@uol.com.br

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