sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O Alckmin está certo por Claudio Domingos Fernandes



Educação é aquilo que fica depois que você esquece o que a escola ensinou. Albert Einstein

Jantávamos, quando o mais novo perguntou-me: 

“Pai porque o Alquimi não gosta da escola?”

“Como assim?” Perguntei-lhe.

“É, a minha professora disse que ele vai fechar as escolas. Como eu vou aprender a ler? Você me insina?”

Eu procurei explicar-lhe as razões do Alckimin.

"Veja bebê, é que para o governador as escolas são como gaiolas, elas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo e deixem de ser pássaros. Ele acha triste ver meninos e meninas sentados enfileirados em alas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação do homem. Para ele, cabe à escola, aparelho ideológico do Estado, servir aos interesses da classe social dominante. Ela está a serviço da manutenção da dominação de uma classe sobre a outra, é alienante, justifica a distribuição social e econômica desigual. Ele sabe que a necessidade da educação é sentida por todos os homens, que as pessoas adoram aprender, amam a educação e a buscam, da mesma forma que amam e buscam o ar que respiram. Mas segundo ele apurou, nos últimos 20 anos, a escola não apenas conseguiu inculcar nos alunos a aversão para com a educação, ela também os induziu a praticar a hipocrisia e a trapaça, em decorrência da posição não-natural em que os coloca. E, avaliando bem seu governo ele concluiu que a afirmação muito comum de que a escola é basicamente um lugar de custódia em vez de educação contém um traço de verdade. Considerando então a escola como instituição de sequestro, instrumento de manutenção do status quo social que visa formar um determinado tipo de sujeito assujeitado ao sistema social capitalista dominante com uma educação fragmentada, do tipo bancária, com conteúdos e métodos impostos de fora, baseada na hierarquia e na autoridade, na vigilância e na punição, ele resolveu reestruturar o sistema de ensino, para isto ele precisa fechar algumas escolas."

“Minha professora disse que ‘quem fecha escola abre prisões’”, ponderou o de mais idade.

"Para o nosso governador as escolas já são prisão, pois, ele explica: “qualquer lugar onde alguém está contra a sua vontade é, para este alguém, uma prisão”. De seus elevados estudos, ele concluiu que: “nossas crianças e jovens desejam estar em muitos lugares a um só tempo, menos na escola”, ou seja, a escola é já uma prisão. Ele entendeu que seu governo construiu um sistema de ensino distanciado da realidade e das necessidades de suas gerações (do mais novo e do de mais idade). Ele só está se redimindo. Depois, que mal há construir prisões. Lá as pessoas não trabalham, são bem alimentadas e recebem do INSS, tem vida melhor? Eu bato palmas para o Geraldo!!!"

Eu sei que os meninos não entenderam a ironia das razões que lhes apresentei. O importante é que eles não contem apenas com a escola seja ela prisão ou um grande parque de diversão, como a desejou o saudoso Gaiarsa, para serem. 

“Ser o quê?” Pergunta-me o mais novo. 

“Ser, bebê, ser. O atributo cabe a você acrescentar”. 

Ele não entendeu isto também. Entenderá, com o tempo entenderá, para além dos muros escolares, com os compadres e amigos que nos cercam. 


Claudio Domingos Fernandes

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Formado em Filosofia (Licenciatura), casado, dois filhos, trabalha na Secretaria de Educação de São Paulo, leciona Filosofia no Ensino Médio. Coordena Oficinas Culturais na Associação Cultural Opereta, onde ensina Italiano. É membro do conselho do Instituto de Formação Augusto Boal. É membro fundador da Associação Cultural Rastilho (A.CURA). Lançou "Vácuos Mundi" e "O Todo em Fragmentos". E-mail: cdomimgosfernandes@uol.com.br
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Balcão da Arte 
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