segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Opereta 20 anos, por Claudio Domingos Fernandes

Hoje (dia 30 de Julho de 2014) a Associação Cultural Opereta completa 20 anos, marcando esta data estivemos ontem confabulando sobre cultura e transformação social, confabulação que deu origem ao que segue.

O homem sempre anda em busca de sentido, não cessa de se fazer perguntas, em busca de respostas ao que faz; ao mundo que produz de sua interação com a natureza e com seus pares. A Cultura é, sempre, uma resposta provisória, que deixa traços incisivos e identitários, mas não delimitadores do vir- a- ser de um povo; de uma pessoa.

Tudo o que é, é sem ser exatamente o que deveria ser. Muitas vezes o que é, é totalmente contrário ao que deveria ser.  Por isso nossa luta constante. Não nos contentamos; não nos conformamos com a realidade como dada. A realidade é sempre a quem.

O cotidiano nos sufoca. Incomoda-nos a impressão de estarmos sempre com os olhos às nuvens, tratando de quimeras, com o que é concreto esvaindo-se entre nossas mãos. Nossas atividades parecem nunca serem práticas, por não produzirem a realidade que gostaríamos de produzir.

Há a cultura como sedimentação, fossilização de hábitos, costumes, que move-nos saudosamente realidades que não vivemos. Lemos, às vezes, a resistência como alienação e conformismo.

É falsa a ideia de que a terra é firme e a matéria é maleável. É utópico, e tem que ser, a ideia de que com os pés no chão e a mão na massa transformamos a realidade.  Quem se coloca a procurar um objeto, se não sabe que objeto procura, corre o risco de tê-lo à mão e não acha-lo.

Tomamos consciência da realidade sem vivê-la. Eu sei e me preocupo com a crise no Oriente Médio enquanto tomo meu vinho. Não preciso estar no fronte, para assumir uma posição, e posicionar-me contra Israel e a favor da Palestina, tem o seu peso.

Sou solidário à dor de muitas mães, com mãos tão atadas quanto as minhas, que veem seus filhos perderem vida para o trafico de drogas e a ilusão do dinheiro fácil. O grito de socorro sufocado em suas gargantas fere-me. Não será com fungas que combateremos esse gigante. Não, nem isso temos. Nossa arma é devir, crença no que não é.

O que ainda é, pode não vir-a-ser. Esta compreensão não nos desalenta. Faz-nos arriscar. E temos nos arriscado há vinte anos. Acreditamos no que virá.

A realidade é sempre a quem; é podendo ter sido outra coisa. Para nós é ainda-não, porque a queremos outra. Nesse sentido Cultura, para nós, deixa de ser sedimentação, torna-se devir. E o que será é a solidariedade se sobrepondo à indiferença. Nossa utopia, o que nos move – Sim!  Somos homens e mulheres de ação –: é o Nós se sobrepondo ao eu!

Parabéns  Opereta por teus 20 Anos: Não Somos Ainda, Seremos!


Claudio Domingos Fernandes



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Claudio Domingos Fernandes
Formado em Filosofia (Licenciatura), casado, dois filhos, trabalha na Secretaria de Educação de São Paulo, leciona Filosofia no Ensino Médio. Coordena Oficinas Culturais na Associação Cultural Opereta, onde ensina Italiano. É membro do conselho do Instituto de Formação Augusto Boal. É membro fundador da Associação Cultural Rastilho (A.CURA). Lançou "Vácuos Mundi" e "O Todo em Fragmentos". E-mail: cdomimgosfernandes@uol.com.br



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