terça-feira, 21 de maio de 2013

A bússola, por Claudio Domingos Fernandes


“Tenho minha própria história...”

Lidhia desceu ao ateliê e desejou-me como um presente, e esculpiu-me incontida, frenética, febril, alucinada. Lidhia gravou em mim versos de um poema, dando-me uma sina: 

“Desejar e realizar são duas coisas diferentes. E chega o momento em que devemos decidir: assumir uma vida de felicidade ou uma vida com um propósito. São dois caminhos bem diferentes. Para ser realmente feliz um homem tem que viver absolutamente o presente, sem pensar naquilo que já foi ou naquilo que virá. Para uma vida de significado, o homem está condenado a viver afundado no passado e se obcecar com o futuro.” 

Lidhia sumiu no meio da noite, deixando-me sobre a mesa sustentando um bilhete: 

“Tenho minha própria história, e ela nasce hoje quando tomo em minhas mãos meu destino com todas as suas incertezas, jogo-me em suas águas sem saber se alcanço o oceano. Não posso mais deixar que as águas passem...”.

Ele me trás em seu bolso, está pronto para receber o prêmio da Academia. Também no bolso o discurso que fará: 

“Minha história começou no dia em que Lidhia beijou-me e partiu, deixando-me um presente que ela mesma confeccionou, naquela noite eu decidi que daria significado à minha vida, entraria nas águas do destino, mas não à deriva. Lidhia me tinha deixado uma bússola e eu sabia, mesmo titubeando, onde queria chegar...”

Durante o discurso encontrou os olhos marejados de Lidhia na terceira fileira, a voz embargou, os olhos também marejaram, um silêncio longo tomou conta do auditório que explodiu em aplausos. Lidhia desapareceu, entre os convivas. Ele segurou-me com toda energia e convicção: 

“Lidhia nunca me abandonara”. 

Claudio Domingos Fernandes



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Claudio Domingos Fernandes
Formado em Filosofia (Licenciatura), casado, dois filhos, trabalha na Secretaria de Educação de São Paulo, leciona Filosofia no Ensino Médio. Coordena Oficinas Culturais na Associação Cultural Opereta, onde ensina Italiano. É membro do conselho do Instituto de Formação Augusto Boal. É membro fundador da Associação Cultural Rastilho (A.CURA). Lançou VACUOS MUNDI. E-mail:cdomimgosfernandes@uol.com.br


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