quinta-feira, 11 de abril de 2013

Agenda Cultural: Apresentação da peça "O que é a vida?", em Mogi das Cruzes



Proposta

Inovar é preciso. A arte se cria, se desenvolve, se consome, se destrói e se recria a partir de cada novo olhar do artista. A reflexão, a critica e o debate são argumentos da arte. Novas propostas, novas tendências são sempre a mola motivadora da criação artística.

O Surrealimo, marcado fortemente por gênios como, Artaud, Sammuel Becket, Eugène Ionesco e Fernando Arrabal, entre outros, pode ser considerado uma instigante fonte deste debate social e político, colocando no palco, o patriotismo, o capitalismo, a religião, a guerra, e toda a pseudo moralidade judaico-cristã ocidental.

Apesar de ter seu surgimento fortemente marcado pelos movimentos modernistas do início do século 20, o surrealismo sempre é uma tendência extremamente contemporânea, capaz de tocar profundamente o público com questões existencialistas e criticas à sociedade, livre da lógica, da razão e das questões estéticas e morais. Desta forma, o surrealismo constitui-se como ferramenta atualíssima de critica e reflexão para as questões contemporâneas da sociedade.

“O que é a Vida?” traz em si toda a essência do surrealismo, com direcionamento ao teatro do Absurdo, onde o drama existencialista e a critica social é mais pungente, trazendo à cena três velhos que sobrevivem juntos numa forma de limbo etéreo, aprisionados num apartamento há anos, sozinhos, discutindo e rediscutindo suas lembranças e seu passado. Talvez vivos e esquecidos, talvez mortos e presos às suas próprias lembranças. Nem de seus próprios nomes se recordam mais, chamando um ao outro de maneira diferente a cada diálogo.

Os dois primeiros confrontam-se o tempo todo, ora como amigos, ora como inimigos, ora como amantes. O terceiro, numa cadeira de balanço, não se pronuncia o tempo todo, até que haja uma crise entre os outros dois. Então ele se manifesta através de pensamentos insólitos, porém reflexivos, que fazem cessar o conflito.

Vazios, sozinhos, abandonados, sem perspectivas, sem futuro, tendo como único esteio um ao outro, odiando-se e amando-se, até que um decide que precisa ir embora. O desespero de deixar de existir, de não ser mais ninguém para ninguém consome o companheiro. A porta se abre depois de anos. Uma luz. E tudo volta ao início, ao começo, da mesma forma como começou, com o mesmo texto, as mesmas marcas, os mesmos conflitos. E o martírio da existência abandonada se repete.

A partir desta proposta, espera-se discutir as relações humanas, nossa dependência de existirmos para alguém. E quem somos quando não há mais ninguém? Voltamos à primitividade de não sermos nada além de homens, espíritos solitários em busca de existir para o outro e não para si mesmo.

Ao mesmo tempo, o esquecimento na velhice. Sermos esquecidos. Nossas famílias, nossos amigos, nossas lembranças. Somos deixados pouco a pouco e vamos perdendo nossas referencias. Nossos filhos e netos se distanciam, nossos amigos de longa data partem cansados desta vida, fazer novos amigos não é uma perspectiva. O que nos resta, então. Se existimos para os outros e não para nós mesmos, não importa o que tenhamos sido ou o que tenhamos construído. Seremos pó de lembrança, esquecimento. Todos, um a um.


Sinopse

“O que é a Vida?” é um espetáculo Surrealista pautado no teatro do Absurdo, trazendo uma importante critica à existência humana, ou seja, o que fazemos de nossas vidas durante seu transcorrer e o que nos tornamos no final dela. Traz um questionamento sobre o homem e sua necessidade de existência par o outro e não para si mesmo, ou seja a dependência de sermos reconhecidos e de nos sentirmos existentes a partir do reconhecimento por parte dos demais daquilo que fazemos, pensamos e sentimos.

O texto ainda aborda a relação da sociedade e sua indiferença ao sofrimento e solidão dos velhos. Esquecendo-os, recusando-os e distanciando-se deles até que o final chegue.

A proposta tem a intenção de trazer uma atmosfera de continuidade cíclica e infinita à existência. O encenação inicia-se com a entrada do público, sendo que o espetáculo já estará em andamento, dando ao público a sensação de que chegaram atrasados, porque a cena já se desenrola. Da mesma forma, quando encerra-se o espetáculo e se reinicia e retoma o texto do início, reapresentando as marcações até que o público saia completamente da sala de apresentação. A proposta é de marcar o ciclo infinito da vida, que se repete a cada existência, a cada novo ser e que se retoma da mesma maneira sempre. Nossos avós, nossos pais, nossos filhos, nossos netos... a vida se repetirá a cada geração e repetiremos o que aprendemos, aquilo que já foi feito por nossos antecessores, preparando nossos filhos para este mesmo caminho. Restará o grande desafio de fazer diferente, de abrir a porta e sair, de tomar o mundo e continuar de maneira diferente.

A cenografia é simples. A caixa preta; uma porta; uma mesa e duas cadeiras simples; uma cadeira de balanço ao lado; um jogo de chá. Talvez fotografias, janela, livros. Talvez não. Ficará a critério de cada direção.

Os personagens são velhos e se vestem como tal. O Figurino não tem a obrigatoriedade de marcar uma época, valendo a interpretação do diretor sobre o posicionamento histórico do contexto.

Três velhos na cena, o Primeiro, o Segundo e o Terceiro. O Primeiro e o Segundo são os protagonistas. Discutem, brigam, se amam e se consolam mutuamente. O Terceiro mantém-se sentado na cadeira de balanço. Olhar perdido, atônito, mudo a maior parte do tempo. Somente se pronuncia quando o conflito entre o Primeiro e o Segundo fica acalorado demais. Pronuncia palavras desconexas, memórias, lembranças e volta a se calar. Primeiro e Segundo sempre encerram o assunto e reiniciam outro quando o Terceiro se pronuncia. É possível que haja uma relação entre Id, Ego e Superego, trazido pela Psicanálise Freudiana.

Os três vivem sozinhos há muito tempo naquele quarto em que se encontram, sem visitas, sem notícias, sem telegramas ou telefonemas. Possuem uns aos outros unicamente e suas falhas lembranças.

Durante o desenrolar do espetáculo, Primeiro e Segundo travam fortes embates numa competição infinita que provavelmente os mantém vivos naquele local. Discutem o abandono, a família, o passado, sexo, Deus e tantas outras coisas. Até o momento em que chegam á conclusão de que estão realmente velhos. Constatam que este é o motivo de terem sido rejeitados, abandonados e deixados sozinhos naquele local. De repente a campainha toca e aí inicia-se o mais forte embate entre os dois. O Segundo quer abrir a porta ver quem bate. O Primeiro desesperado, implora que não abra. Pode ser alguém, um parente, uma visita. Para o primeiro não importa, refutando com toda sua força a possibilidade de abrir a porta. Diz que podem ser cobradores, mágicos, vendedores, Testemunhas de Jeová. O Segundo insiste em abrir e seguir. O Primeiro angustia-se de tal forma que esmurra a porta pedindo que quem quer que seja vá embora. A campainha toca de novo. O Primeiro faz promessas, oferece tudo o que tem, mas o Segundo decide a abrir a porta e partir.

Ao abrir a porta, uma forte luz cega o público, simbolizando a grande luz que aqueles que experimentaram a experiência de quase-morte relatam. Ou apenas uma iluminação, um recomeço. Talvez o fim de tudo ou o reinicio.

Após a luz, um Blackout. Foco no Terceiro Velho em sua cadeira de balanço. Um breve discurso sobre a própria existência. Reascendem a luz. O Primeiro e o Segundo Velho estão de volta à mesa, na mesma posição e no mesmo ponto do texto em que quando o público entrava. Reiniciam o espetáculo na íntegra e o continuarão até que todo o público tenha saído do auditório, representando o ciclo infinito da vida e a recriação da realidade a cada existência.


O que: O que é a Vida
Quem: Cia Popatapataio de Teatro (Caraguatatuba-SP)
Onde: Galpão Arthur Netto - Avenida Fausta Duarte de Araújo, 23 – Jd. Santista – Mogi das Cruzes (próximo ao Hospital Ipiranga)
Quando: 13 e 14 de abril, sábado e domingo, 20h.
Quanto: R$15,00 (meia-entrada para estudantes, professores, classe artística e maiores de 60 anos) e R$10,00 (antecipado)
Orientação etária: 10 anos
Capacidade: 60 lugares.
Contato: (11) 3433 9841 ou galpaoarthurnetto@uol.com.br

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