terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Quarenta segundos que não dizem nada, por Claudio Domingos Fernandes

"O dia em que pararmos de nos preocupar com Consciência Negra, Amarela ou Branca e nos preocuparmos com Consciência Humana, o racismo desaparece." (Morgan Freeman).

Quando algo deixa de ser irrelevante eu deixo de falar e comentar sobre ele até mesmo para dizer que é irrelevante. Quando eu digo, isto é irrelevante, é porque não é! Só não quero pensar sobre ou ser ‘o inconveniente’ que toca no assunto. Quando digo devemos superar isto, é porque ainda não superamos.

Eu também espero que a humanidade que já consegue olhar para os animais e entendê-los com maior zelo e senso de proteção humanitária, também possa olhar para cada homem e mulher e respeitar-lhe a diversidade, a singularidade, a pluralidade, as diferenças que nos tornam todos iguais sem sermos, e enterrar de vez o preconceito e a intolerância.

Mas se falo: espero, é porque ainda não somos o ser humano sem raça, sem sexo, sem cor, que gostaria que fossemos. O que somos ainda, de fato, é: homofóbicos, sexistas, racistas, machistas, feminicistas, intolerantes.

Por isso é preciso continuar dizendo, mesmo com os avanços consideráveis, que nos tirou das trevas da ignorância, que as mulheres no Brasil e no mundo, ganharam (ou conquistaram) – a diferença entre ganhar e conquistar já nos dá muito o quê dizer – novo status, mas ainda sofrem violência, são tratadas como objetos, ganham menos que os homens em atividades similares...; é preciso reconhecer que no Brasil e no mundo, homossexuais, conquistam dia-a-dia proteção legal, mas é preciso continuar denunciando que ainda são perseguidos, ridicularizados e mortos; é preciso perceber que os negros no Brasil e no mundo, crescem economicamente, mudam de status social, mas ainda são vistos com suspeita e difidência; é preciso continuar dizendo que no Brasil e no mundo pessoas por suas posições religiosas são destratas, humilhadas e mortas; é preciso continuar a dizer que no Brasil e no mundo, certas posições políticas podem levar ao confinamento, quando não à morte. Há alguns meses uma mulher morreu vitima de violência, por ser mulher, ser negra, ser homossexual e ser nordestina, não deu para saber se era evangélica, católica, espírita ou ateia, mas a pessoa que a matou disse que prestava um serviço à humanidade.

A humanidade está longe desta consciência que abraça as diferenças, aceita a pluralidade, se compõe de singularidades, e não alcançará tal propósito se deixarmos de falar do que parece irrelevante, porque avançamos alguns passos à frente.


Claudio Domingos Fernandes
Formado em Filosofia (Licenciatura), casado, dois filhos, trabalha na Secretaria de Educação de São Paulo, leciona Filosofia no Ensino Médio. Coordena Oficinas Culturais na Associação Cultural Opereta, onde ensina Italiano. É membro do conselho do Instituto de Formação Augusto Boal. É membro fundador da Associação Cultural Rastilho (A.CURA). Lançou VACUOS MUNDI. E-mail:cdomimgosfernandes@uol.com.br


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