terça-feira, 25 de setembro de 2012

O Homem Assombrado, por André de Souza Almeida




Eu me chamo João. Sou trabalhador, tenho uma família, filhos... Ultimamente andava muito estressado e sempre reclamava de tudo da minha vida, família, emprego, trânsito. Não estava contente com mais nada. Estava estressado com tudo. Quando digo tudo, é tudo mesmo. Estava estressado porque ganhava mal e por todos os outros problemas que foram surgindo na minha vida. Então, num dia descobri uma forma nova de me aliviar e comecei a falar bad words. E isso me aliviava, mas então percebi que estava falando constantemente.

Um dia eu acordei de manhã e percebi algo atrás de mim. Mas, toda vez que olhava para trás, essa coisa sumia. Porém, como a intensidade das bad words foram aumentando, essa coisa começou a marcar mais presença. Até que um dia permaneceu de vez atrás de mim. Toda vez que olhava para trás, via essa coisa atrás de mim. Ela estava atrás da minha porta, debaixo da minha cama...  Eu tentei mudar de casa, de emprego, me desestressar, mas não ajudou porque aquela coisa sempre me acompanhava.

Então, num belo dia, resolvi pedir ajuda a um especialista. Sabe, era um desses especialistas que cuida da cabeça da gente. Chegando lá, um motorista mal de volante me fechou e eu comecei a me estressar. Peguei o elevador para chegar ao terceiro andar, mas antes de adentrar nele, entrou outro homem e eu não pude entrar, pois estava lotado. Estava ficando enfurecido e, então me dei conta de que a coisa estava atrás de mim. Tomei o próximo elevador. A secretária me atendeu e logo entrei na sala do especialista.

- Bom dia João. Em que posso ajudá-lo?

- Doutor, eu ando muito estressado e isso já tem meses. No começo nada me acontecia, mas agora anda aparecendo cada coisa estranha atrás de mim. Como agora, doutor, o Hulk está aqui e ele quer bater no cara que fechou o meu carro no estacionamento, bem como naquele que ocupou o meu lugar no elevador.

- João, isso é fácil de resolver. Quando você perceber que está começando a se estressar e que vai falar uma bad word, fale uma dessas big words: “inconstitucionalissimamente”, “otorrinolaringofaringologista”, pneumoultramicroscopicos- silicovulcanoconiótico”, "dimetilamenofenildimetilpirazolona. Com exceção da primeira, todas as outras são relacionadas à saúde/ medicina...

- Mas, doutor, como eu vou me lembrar dessas palavras gigantescas?

- É simples, vou anotá-las na receita médica e você levará consigo para onde quer que vá. Quando acontecer algo que lhe desperte raiva, estresse etc. você pega esse papel e lê, sempre respirando tranquilamente, e esses sintomas desaparecerão.

João agradeceu e saiu do consultório mais descontraído, satisfeito... Logo quando chegou à calçada, trombou com uma mulher. Ela parecia bem estressada, pois falou qualquer coisa que ele não entendera, pois no mesmo instante, sentiu a raiva vir à tona e, então, pegou o papel e recitou a primeira palavra que o médico anotou.

Depois de alguns dias, João percebeu que, todas aquelas coisas que estavam atrás dele, desapareceram e ele estava tão feliz, tão tranquilo, como há anos não se sentia. E, então, notou que não precisava mais da receita do médico, pois já sabia se controlar sem precisar pronunciar aquelas big words.



André de Souza Almeida, 09 anos
CEP José Antônio Bortolozzo


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História realizada durante a aula de Inglês com o intuito de cultivar e conhecer a cultura local, sob orientação da Professora Joyce C. L. Gomes.


Joyce Cristina Leme Gomes
Professora da Rede de Ensino de Poá, Graduada em Letras (UBC), Graduando em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda (UMC). É voluntária como Secretária na Diretoria Executiva, bem como na Comunicação da Organização Não Governamental (ONG) Associação Cultural Opereta. Atualmente desenvolve o blog da Associação Cultural Opereta, Joyce Gomes: Professora e Publicitária e Cantinho das Letras.



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