quinta-feira, 12 de abril de 2012

Judhit-Joaquim, por Claudio Domingos Fernandes





















Um segundo é uma totalidade, compreende todo um passado e se abre a todo um futuro. Nele esta a eternidade do tempo. Um piscar de olhos talvez dure menos de um segundo. Nele está a totalidade de um ser incapturável. Um sorriso dura um instante como a lágrima escorrendo ou o aceno da chegada-partida. A declaração travada na garganta é uma eternidade suspensa entre o receio do não e o desejo do sim. 

Nos olhos de Judhit, Joaquim é pleno. Nos olhos de Joaquim, Judhit é plena. Um segundo dura a presença eterna de um no outro. 

Joaquim deve partir, a pátria o convoca. A pátria, uma porção geográfica, está acima de Judhit. Mas em Judhit está toda a pátria. Joaquim escorre nos olhos de Judhit. Judhit está toda na voz embargada de Joaquim. O silêncio, esta totalidade imensurável no segundo, no entre olhos Judhit-Joaquim, no entre lábios que se encontram. Joaquim é a pátria que o convoca. No aceno está a totalidade de um ser: Joaquim se distanciando, escorrendo em lágrimas, permanecendo... Judhit um ponto cada vez mais distante, intensa presença, entre lagrimas escorrendo... Um segundo é uma totalidade de eventos. 

Claudio Domingos Fernandes
Formado em Filosofia (Licenciatura), casado, dois filhos, trabalha na Secretaria de Educação de São Paulo, leciona Filosofia no Ensino Médio. Coordena Oficinas Culturais na Associação Cultural Opereta, onde ensina Italiano. É membro do conselho do Instituto de Formação Augusto Boal. É membro fundador da Associação Cultural Rastilho (A.CURA). Lançou VACUOS MUNDI. E-mail:cdomimgosfernandes@uol.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário